Ontem foi a primeira vez que exploramos um museu no escuro. Eram 22h, as portas da Tate Modern se fecharam e só ficou ali quem tinha uma lanterna chamada Little Sun, uma espécie de lâmpada que funciona com energia solar, criada pelo artista dinamarquês Olafur Eliasson.

Nu, folhas verdes e busto, de Pablo Picasso (1932)

Hour of the Traces, de Alberto Giacometti (1930)

Busto de uma mulher, de Pablo Picasso (1944)

As luzes se apagaram e subimos até o segundo andar do museu para, num quase breu absoluto, fazer um passeio pela galeria “Poesias e Sonhos”, uma sala com obras lindas, surreais, cheias de imaginação ou pouca realidade. Tinha adulto, criança, um monte de gente. Ai, que legal!

Lanterna no pescoço, fomos andando e iluminando todos os quadros e esculturas que víamos pela frente. Interagimos com as obras, brincamos de sombra, vimos detalhes que nunca havíamos reparado: pinceladas, cores, texturas… tudo foi revelado de uma outra forma, como uma nova descoberta!

Hip, Hip, Hoorah!, de Karel Appel (1949)

Questioning Children, de Karel Appel (1949)

A ideia de andar à noite pelo museu, quando ele já está fechado e, portanto, com as luzes apagadas, é parte do projeto do artista. Essa lampadinha em forma de sol não funciona apenas como um brinquedo, um mimo, um obra de arte que você pode levar para casa. Olafur Eliasson criou a Little Sun por acreditar que luz é um direito de todo mundo. E com essa ideia, pretende atingir milhares de pessoas que até hoje vivem sem energia elétrica. Só pra você ter uma ideia, o número chega a 1 bilhão e 600 mil. E é triste você pensar que sem luz fica mais difícil para um bocado de coisas: ler, cozinhar, conversar, escrever… Quem compra a lampadinha nas áreas em que a eletricidade é plena, acaba ajudando algumas comunidades em diversos países, pois quanto maior o número de vendas, mais barata a Little Sun chega nos lugares onde não há energia elétrica.

Ou seja: que ideia genial, que projeto bacana e que experiência legal a gente viveu ontem. Tomara que isso se espalhe e todos os museus façam isso um dia. Mas, por enquanto, que tal colocar uns desenhos pela parede, apagar as luzes e explorar os detalhes da sua casa com uma lanterninha. Não é brincadeira boa?

Thais (287 Posts)

Thais Caramico acredita em carrossel, mas prefere ver o mundo do segundo andar de um ônibus vermelho. Tem uma bicicleta que dobra, uma cachorra chamada Baleia e a mania de se perder no miolo dos livros.