Desde que a Lu mostrou aqui a escola sem paredes, eu comecei a pensar em como uma escola deve ser. Não estou falando do modelo pedagógico porque isso tem muito a ver com cada família e no que ela acredita ser bom para a criança. Estou falando de arquitetura. Em Amsterdã, me chamou a atenção um colégio quase que no meio da rua. Era uma casa pequena e de tijolinhos com dois ou três andares. As crianças tinham um pátio, que não era no miolo do terreno. Elas brincavam do lado de fora, podiam olhar para a rua e ver as pessoas transitarem sem medo. Um muro com pouco mais de um metro não fazia bloqueios, apenas sinalizava que as crianças podiam correr muito e sentir tudo ao redor, mas sem passar dali.

Ontem, conversando com a Déia (uma amiga arquiteta), ela me falou do holandês Herman Hertzberger, que projetou várias escolas montessorianas (baseadas no método da italiana Maria Montessori, educadora, médica e feminista), e que acredita que é preciso desenhar escolas da mesma forma funcional que se projeta uma cidade. Fui pesquisar e descobri que esses são seus prédios favoritos. Que para ele, no geral, a forma como uma escola é construída e organizada tem um grande impacto no desenvolvimento da criança.

Neste livro, 30 projetos do arquiteto podem ser devorados. Quase sempre é assim: parquinho para a rua, escadarias com degraus largos, feitos para sentar e brincar, conversar ou escrever, ambientes que se misturam, sala de aula com cara de sala de casa, janelas e vista para fora, para o mundo. Como a Delftse, na Holanda (na foto que abre o post e nessas abaixo).

Interessante esse pensamento do arquiteto, não acha? Independente do modelo pedagógico, a construção do prédio realmente pode dizer um bocado sobre a criança e seu jeito de ver o mundo…

Thais (284 Posts)

Thais Caramico acredita em carrossel, mas prefere ver o mundo do segundo andar de um ônibus vermelho. Tem uma bicicleta que dobra, uma cachorra chamada Baleia e a mania de se perder no miolo dos livros.