Conheci a Laura Teixeira durante uma oficina com crianças e me apaixonei pela estética e a forma como ela conduzia aquele trabalho. Num chão repleto de materiais coloridos para explorar como quisessem, Laura ensinou a fazer um livro artesanal mostrando a importância do objeto. Foi divertido e as crianças saíram dali supercontentes. Numa outra ocasião, eu a vi montar obras de arte com rolos de fita adesiva. Foi a exploração quase total da imaginação e eu me lembro até hoje dos resultados. E mais: as crianças sempre felizes e interessadas no assunto.

Nessa pesquisa de juntar arte e educação, Laura trabalha com crianças e adultos. Ilustradora e designer, mestre e graduada pela FAU-USP, especializou-se em ilustração na Eina – Escola de Disseny i Art (Barcelona) e já colaborou com várias publicações (jornais a revistas). Em 2010, foi convidada a colaborar como quadrinista para a revista Stripburger (Eslovênia). Em sua bio, ela diz que desenhou murais de grandes dimensões em unidades do SESC, fundou a revista Charivari com 11 ilustradores e desenvolveu estampas exclusivas para a marca Neon. Regularmente, dá oficinas e mini-cursos no Sesc e no B_arco Centro de Cultura, coisa que eu tenho muita vontade de fazer, mas que, infelizmente, a distância não deixa. Que bom ter a Laura hoje no Papo Pá-Pum!

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Papo Pá-Pum
Participantes:
 Garatujas e convidado
Como funciona: uma entrevista a cada 15 dias
Regras do jogo: as perguntas são sempre as mesmas
Objetivo: conseguir respostas inteligentes, livres, curtas e engraçadas, na linguagem que bem entender.
Quem já brincou: Daniel KondoIsabel Minhós (do Planeta Tangerina), Francisca Yáñez (Libros del Snark), Janaina TokitakaMaria EugeniaSuppaBlandina e LolloJutta Bauer, Tartaruga FelizAndré da LobaTalita Nozomi e Angela-Lago.
Quem é o próximo? Carlinhos Müller.

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Crédito: Studio Z

1) Você é autor, ilustrador, escritor, artista ou o quê?
O meu negócio é desenhar, e me formei como designer na faculdade. Gosto bastante de investigar como uma imagem pode se relacionar com um texto e com o objeto em que será impressa. Também faço experimentos gráficos usando outras técnicas diversas, como por exemplo a colagem. Dou muitas oficinas, que funcionam como um espaço de pesquisa para mim. Fico contente ao compartilhar experiências com outras pessoas.

2) Como é o lugar onde você trabalha? Não esqueça de detalhar sua mesa.
Eu mudei de casa e de estúdio faz pouco tempo, então ainda estou entendendo o que será quando estiver tudo mais arrumadinho. Está dividido em dois: um é o meu ateliê que ocupa um dos quartos do apartamento onde eu moro. Lá eu guardo a maioria das minhas coisas: os materiais das oficinas, trabalhos em andamento, etc. O outro é uma sala bem simpática num estúdio coletivo, que tem uma laje grande com tapetes de grama de plástico que podem tomar chuva e várias plantinhas de verdade… As minhas mesas por enquanto estão servindo de apoio! E eu tenho uma mania de desenhar no sofá, desde criança…

Crédito: Asian

Crédito: Asian

3) Quais cores e técnicas são suas melhores amigas?
Hum, eu pesquiso pesquiso materiais dos mais variados tipos… Mas descobri não faz muito tempo que, mesmo que o resultado do trabalho seja algo tridimensional (por exemplo com pedaços de plástico ou perucas coloridas da 25 de março), o desenho está presente de algum jeito. Não sei fazer nada sem o meu desenho. Ele está nas colagens, nos objetos que invento… E claro, nos livros. Quanto às cores: eu tenho uma paleta que em geral foge do amarelo. As que eu sempre uso sem querer querendo são o vermelho, o azul e o verde, mas acredito que o importante não são as cores em si, mas as combinações entre elas.

4) Você gosta de brincar com as palavras?
Menos do que com desenhos… Mas admiro demais quem tem essa vocação!

5) Por que seus livros carregam o selo de infantil, se eles fazem bem para todas as idades?
Obrigada! Eu tenho duas coisas que devem contribuir para isso: uma é que o meu traço tem uma característica “naïf”, e imagino que seja assim porque eu sou completamente apaixonada pelas manifestações consideradas mais “ingênuas”, como os desenhos das crianças e dos loucos. Outra é que eu gosto muito de conversar com as crianças. Não sei o que é, eu me sinto bem com elas, é uma coisa minha. Não trato criança como a maioria das tias (risos), falando tudo no diminutivo. Eu me envolvo com os assuntos delas, que são muitas vezes maravilhosos! Eu acho que as levo particularmente a sério porque são meu objeto de pesquisa – ou seria o contrário? Eu gosto de coisinhas malucas, fantasiosas… Enfim, isso conta, estou certa. De qualquer forma, eu faço um monte de trabalhos que não são voltados especificamente para o público infantil. Isso é muito importante no meu processo. O que muitas vezes acontece nesses trabalhos é que tento manter um certo descompromentimento com o resultado final, como fazem as crianças.





6) Qual livro você gostava de ler quando criança?
Eu comecei a gostar de ler quando fui crescendo… Não era um hábito na minha família… Eu lia os livros que a escola pedia. Essa é a minha história de leitura na infância.

7) Até cinco livros seus que você ama e uma obra de outro autor atual, que todo mundo deve conhecer.
Os que eu gosto mais são os que ainda estou fazendo. Depois vem o Número de Circo, da Hedra, que é de 2008. Uma obra de outro autor atual: Espelho, da artista coreana Suzy Lee.

E o da Suzy Lee:

8) Quando é melhor ler ou pintar?
Ah, eu não pinto nunca (risos)! Eu desenho! Acho que o melhor é ler na cama ou na praia ou na rede… Porque, mesmo que eu esteja amando o livro, fico sempre com sono! Gosto de desenhar fazendo algo ao mesmo tempo: ouvindo música, falando abóboras com
amigos, “ouvindo” TV…

9) Se uma garatuja estivesse ao seu lado agora, o que você escreveria ou desenharia para ela?
Outra garatuja!

10) A propósito, o que é uma garatuja para você? E quatro garatujas fantásticas?
Uma garatuja é um ser maluquinho que gosta de coisas muito legais. Quatro garatujas fantásticas são quatro seres maluquinhos que gostam de coisas muito legais. Fantásticos!!!

Thais (284 Posts)

Thais Caramico acredita em carrossel, mas prefere ver o mundo do segundo andar de um ônibus vermelho. Tem uma bicicleta que dobra, uma cachorra chamada Baleia e a mania de se perder no miolo dos livros.