Era uma vez um mundo sem letras, só com números, nada de nomes. Naquele tempo, um número identificava cada ser. Senhor Dois, já para cá. Ei, você mesmo, Cinco, preciso de você aqui. Assim é o Numberlys, o mais recente aplicativo para iPad da Moonbot (o estúdio que criou o The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore). Nele, a história segue em preto e branco com figuras robóticas que marcham de um lado para o outro, como numa fábrica onde tudo funciona de modo perfeito. É visualmente incrível!
A tela é dramática, a narração teatral e a narrativa vai ganhando forma aos poucos. Mas esse lugar é transformado por cinco números que têm um grande sonho: tornar o mundo mais livre e aberto. Como? Criando um alfabeto de 26 letras.
A tarefa não é fácil e cada personagem é responsável por fazer a sua parte. As animações entram em jogo, sofisticadas e hipnotizantes, mas atenção: não espere a mesma interação do app de estreia. Numberlys, que conquistou o segundo lugar no prêmio digital de Bolonha, é bem diferente do primeiro aplicativo do estúdio. (clique aqui se se quiser saber quem levou o primeiro lugar).
Eu adorei a história e a criação. E acho bem bom também quando o aplicativo é mais desacelerado e menos cheio de surpresas. Penso que assim é uma forma de valorizar o que está por trás do roteiro, sem gerar aquela ansiedade o tempo todo em descobrir um novo clique. Naveguei por ele com crianças de três e oito anos e posso dizer que funcionou bem para as duas faixas – apesar de o menor ter se distraído um pouco em alguns momentos, talvez por conta das cenas sombrias.
Antes de ver o vídeo aí embaixo, só uma reflexão garatujística: como seria o mundo sem as letras? Não posso nem pensar nisso. Desde pequena, o fascínio é grande por pequenas formas que se juntam para dar sentido a tudo. Você não acha mágico que quatro coisinhas possam se encaixar para dizer A-M-O-R, que significa tanta coisa? E a palavra SAUDADE, então? Fora que o T parece uma mesa, o R é um homem gordinho esperando alguém com a perna apoiada, o A é uma bela ponte e o G é um balanço lindo. E o i, que tem de equilibrar uma bola no nariz o tempo todo? Ahhh…
Pronto, divirta-se!








