Nos últimos meses eu tive a sorte de entrevistar três grandes nomes da literatura infantojuvenil, pessoas incríveis e cheias de coisas boas para passar. Foram entrevistas que me ensinaram um bocado sobre os livros, as crianças, a educação do olhar e da palavra, a delicadeza do processo criativo, os caminhos a seguir. E é por isso que eu quero dividi-las aqui (é só clicar no nome dos entrevistados para ler na íntegra). Todas foram feitas para a revista digital Emília, uma preciosidade do universo da literatura infantil e juvenil, uma sala de aula das boas.
Do autor e editor mexicano Daniel Goldin, eu ouvi:
“Ler ou fazer que um filho leia é estimular sua capacidade de ser outro, de ler-se nesse devir e de arraigar-se no mundo. É outra forma de realizar o dever da hospitalidade: dar-lhe as boas-vindas num mundo onde nós mesmos somos estranhos, dar-lhe alimento para crescer e, portanto, estimular sua liberdade.”
Do premiado ilustrador espanhol Javier Zabala:
“Os psicólogos dizem que quando uma criança pequena pergunta “Pai, o que é isso?” enquanto olha um cachorro, existem três possibilidades: 1) Isso é um au-au. 2) É um cachorro. 3) É um pastor alemão de mais ou menos cinco anos. Os psicólogos preferem a terceira resposta, ou seja, a mais completa, e eu também. Digo isso porque não acredito que se deva falar a uma criança com uma linguagem simples, seja ela literária ou gráfica.”
E do artista gráfico japonês Katsumi Komagata…
“Faço livros sensíveis porque sempre quis mostrar para minha filha que as coisas são finitas. No geral, as pessoas tentam dar as coisas mais duráveis para as crianças brincarem. Óbvio que se for muito sensível, não vai ser útil. No entanto, é importante que as crianças aprendam que as coisas quebram e se destróem e que nós temos de aprender a cuidar delas com delicadeza. Se uma página é rasgada por uma criança, dá para consertar usando fita adesiva ou cola. E assim a criança vai aprender que precisa ter mais cuidado se não quiser estragar aquilo. Com pessoas também é assim. Somos sensíveis e nos machucamos, então precisamos saber nos comunicar e entender um ao outro.”
Boa leitura! Aproveite por lá e depois conte aqui o que achou. =]









