Hoje eu não consegui cumprir meu horário aqui. Ontem, na cidade em que passei os últimos 16 dias, eu e dois amigos falávamos sobre o que é o tempo e para quem. Hoje eu peguei o trem e adiantei o relógio em uma hora assim que cheguei na cidade em que vivo hoje. Tempo, ouvi dizer outro dia, é o novo preto (de quando as tendências seguem os estilos de vida, ai.). Estar ocupado ou na correria é como estar na moda. E as crianças que muitas vezes têm mais compromissos que os adultos? Podemos ficar fora de moda, por favor?
***
Estou aqui atrasada. Porque se você vem sempre, já reparou que os posts têm cadência, uma organização pessoal e que acontece diariamente às 6h. Aqui, estou quatro horas na frente. Mais atrasada ainda e tudo bem. Porque eu cheguei, li um email de uma amiga chamada Isa e fui lançada para um post lindo sobre o momento em que uma criança vê o mar pela primeira vez, e pede ao pai para ajudá-la a apreciar aquela maravilha. Já reparou como é linda a forma como uma criança brinca com as ondas e quanto tempo ela é capaz de ficar ali? Você se lembra de como foi a primeira vez que seu filho, sobrinho ou pitico próximo viu o mar? Tempo, memórias, infância.
O trecho vem do Livro dos Abraços, do Eduardo Galeano, e pode ser lido em espanhol no post lindo ou na íntegra do livro, em português. Ganhei esse livro, numa versão de bolso da L&PM de uma revisora chamada Juliana, em 2005, na editora em que eu trabalhava. Foi lá que conheci a Tati, que hoje é Garatuja, amiga e família. Tempo, tudo no nosso tempo. Por dias e noites o livro me acompanhou. Depois, ouvi muito sobre Montevidéu, uma cidade que o Beto adora, onde Galeano (que queria ser jogador de futebol quando criança) nasceu e vive. E então, juntos, eu, Beto e Tartaruga assistimos a um vídeo do escritor, em que ele fala sobre as coisas da vida. Desde então, Galeano toma meu tempo com afeto. Se tiver 24 minutos do seu, assista.
O conteúdo é inspirador e fala também sobre crianças e mundo. Para mim, fala ainda sobre o tempo, as amizades, os encontros, os desencontros, o amor, os continentes, a democracia, a utopia e, portanto, sobre valores que eu quero passar para as crianças que me rodeiam.
***
Galeano é mestre em tratar as crianças. Diz coisas bonitas sobre elas e acredita que todas são pagãs e, portanto, poéticas. Sonha, volta no tempo, mostra o olhar desses seres incríveis. Ele também tem um livro infantil lindo, publicado pela Cosac Naify (História da Ressurreição do Papagaio), que em 2010 eu dei a dica lá no Estadinho. O livro é inspirado num cordel nordestino, numa lenda sobre o talento humano para transformar e recriar, por meio das emoções (não é assim que agem as crianças?). Eucanaã Ferraz quem traduziu o livro. E dá pra ouvir um trecho na voz dele clicando aqui.
E tem ainda o mais lindo de todos: Los Sueños de Helena, publicado por uma das minhas editoras favoritas, a espanhola Zorro Rojo (tem trecho grátis para iPad). Isidro Ferrer, quem ilustrou, merece um post só para ele, e vai ser já. Porque além desse, ele também compôs o Livro das Perguntas, do Neruda, meu livro de cabeceira e com quem eu já passei um tempo bom e feliz.
***
Sei lá como anda sua agenda hoje, mas se der para criar a imagem de um menino vendo o mar pela primeira vez na sua cabeça, já sabe…









6 garatujos comentaram!
paula falou:
06/09/2012
quebonitoquebonitoquebonito
Thais falou:
06/09/2012
Ebaobaiupi, Paula!
Dani Pierre falou:
06/09/2012
Ai Thata, emocionante! Lindo e inspirador para a vida! Obrigada!
Rute Miriam Albuquerque falou:
06/09/2012
Sinto-me abraçada por estas garatujas que penetram tão intimamente no meu construir-se.
No domingo passado estava na praia. É: tenho sorte e um marido cujo pai, meu sogro portanto, mora numa das praias mais lindas que já vi! Como eu dizia, estava na praia com a neta do meu marido, de apenas três anos, a Júlia. Em pleno inverno e nós duas a construir infinitamente os castelos de areia. Até que fui “salva” por um amiguinho, que me rendeu na guarda. E então os dois, ambos com três anos, me dispensaram da tarefa de ser mestre-de-obras. Foi naquele momento que pensei no tempo. Minha filha hoje tem doze anos, e já não quer mais construir castelos…ainda ontem ela queria. E Galeano e Neruda, eles não contam o tempo. O tempo se rende a ambos. Soube disto no dia em que visitei uma das casas do Neruda, no Chile. Enquanto eu passeava entre os móveis, contemplando o cavalo, ouço sua voz a recitar uns versos. Levei um susto, mas era só tecnologia. Transmissão de documentário durante visita guiada.
Tartaruga Feliz falou:
07/09/2012
ARREPIOU! <3
Tati falou:
07/09/2012
Tempo e praia. Talvez seja essa a melhor combinação. A Que permite um abraçar o outro, um pensar no outro e na importância de ambos para a nossa vida. Thata, que como disse, graças ao tempo agora é família, obrigada pelo vídeo. Precisei de mais de 24 minutos, confesso, mas porque tive que ver e rever três vezes Galeano falando, discorrendo, pensando, me encantando.