Omnibot 2000 / Por Tomy e Katsushika / Tóquio / 1985

Se antes a criança era vista como um pequeno adulto, veio o século 20 e um novo conceito de infância. O que está em cartaz no MoMA de Nova York  é um recorte dessa evolução, com foco no design. Century of the Child: Growing by Design, 1900-2000 ( que em tradução livre fica O Século da Criança: Crescendo com o Design, 1900-2000), é uma mostra que reúne o trabalho de designers e artistas de vários países. O melhor de tudo? Saber que dá para visitá-la na internet, de qualquer lugar do mundo, só clicando aqui.

Página do supersite!

Como extensão da mostra, o MoMA lançou esse site maravilhoso que mostra boa parte (se não for tudo) do que está em cartaz: cerca de 500 itens, entre brinquedos, jogos, móveis, fotografias, cartazes e livros, dividos em sete seções cronológicas. Em todas elas, implícita, a mesma questão: o que é da natureza da criança e o que ela precisa para se desenvolver dentro da sociedade? As respostas, quem tiver pode deixar nos comentários. Eu por enquanto fico de olho nos desafios que isso traz.

Chica modular children’s chairs / Jonathan De Pas, Donato D’Urbino, Giorgio DeCurso e Paolo Lomazzi / Itália / 1971

No catálogo da exposição (que tem versão para iPad), a curadora Julieta Kichin diz que nenhum período da história demonstrou tanta preocupação com as crianças como o século 20. Em seguida (como cravou a matéria do The New York Times), vieram as contradições: “A figura simbólica da criança tem mascarado aspectos paradoxais da condição humana no mundo moderno. O quanto de liberdade é algo positivo e quanto de controle é necessário são questões que falam não apenas sobre as crianças. Isso serve sobre pessoas em qualquer lugar do mundo, nesse momento em que os valores tradicionais perdem força, mas aumentam as possibilidades para novos jeitos de ser e ver o mundo.”

Fotografia Boy on the Wall (Michael, nove anos) / Jens S. Jensen / Gutemberg / 1973

Não vale explicar aqui o que é esse site, você tem de explorá-lo, porque é interativo, cheio de detalhes e só a navegação original é capaz de revelar a riqueza desse material. Quando o MoMA pensou em criar esse espaço, a ideia era passar um pouco da sensação de brincadeira e aventura que a exposição traz. Então, vá pelas datas e clique nos objetos. Uma bela de uma legenda vai se abrir, contextualizando cada peça, desde os kits de madeira e formas geométricas criados por Friedrich Froebel, os objetos educativos e coloridos de Maria Montessori, pinturas que revelam o potencial criativo das crianças, a infância nos períodos de guerra, o abitacolo de Bruno Munari, o consumo, os games, e um livro do artista gráfico japonês Katsumi Komagata.

Material educativo / Maria Montessori / Itália / 1920

A última seção, “Desenhando Mundos Melhores”, vai dos anos 1960 ao novo milênio. É ali que está o Geopark, um espaço público incrível na Noruega, e que deixa uma pulga atrás da nossa orelha. Que mundo a gente quer para as crianças? Que vida e que cidade a gente quer para nós e para elas? Se você também se interessa por esse tema complicado (porque segurança é sempre uma palavra-chave nessa hora), aqui está o texto de uma amiga, que tem um dos projetos mais interessantes que conheço, o Cidade Para Pessoas. Porque se o século 20 é aquele em que tudo se transformou, o que será do 21?

Il bimbo cattivo (O garoto mau) / Antonio Rubino / Itália / 1924

E para terminar, dê uma olhada na lista de filmes que o MoMA exibiu nas últimas três semanas, em conjunto com a exposição. Há clássicos e outros que me parecem superinteressantes. Estou bem curiosa para ver o angolano Na Cidade Vazia (no site como Hallow City / e que pode ser visto online na íntegra), o moçambicano A Bola (The Ball), Walkabout, do Reino Unido, e o tcheco Stolen Child, uma animação de oito minutos.

John Rideout e Harold Van Doren / Estados Unidos / 1933

Todas as imagens: MoMA PRESS/Divulgação.

Thais (287 Posts)

Thais Caramico acredita em carrossel, mas prefere ver o mundo do segundo andar de um ônibus vermelho. Tem uma bicicleta que dobra, uma cachorra chamada Baleia e a mania de se perder no miolo dos livros.