A terceira história do concurso de conto de fadas é inspiradora. Obrigada, Luciana Gonçales pela participação, e parabéns! Adoramos receber sua história!

O Reino das Sete Cores
Há muito tempo atrás, num reino muito distante, morava uma fabulosa princesa
Cabelos longos, ruivos e encaracolados contrastavam com o branco reluzente de sua pele. Tinha um rosto fino, bochechas rosadas e um nariz delicado. Corpo esguio e andar suave. Vestia-se com vestidos feitos em tecidos leves, de cores.
 
Filha única da Rainha Lua e do Rei Sol, Luz era uma linda Princesa no reino mais brilhante e colorido do mundo.
Gostava muito do sol, dos bichos, das plantas e da chuva também, pois podia ver lindos arco-íris quando os raios de sol encontravam com as gotas da chuva. E quando isso acontecia, enchia o coração dela – e de todos os moradores do Reino – de felicidade.
 
Os pássaros cantavam mais alto, as plantas agradeciam pela água que caia do céu, as crianças brincavam pelos verdes gramados, os adultos trabalhavam mais animados e satisfeitos e Luz, ficava ali, maravilhada com tanta beleza, grata por ser princesa de um reino tão mágico.
 
Todos sabiam a importância de cada cor dos arco-íris. Não eram apenas imagens bonitas, eles traziam muito significado em suas cores e todos tinham muito respeito. Logo que um arco-íris aparecia, todos fitavam ele e respiravam fundo, absorvendo a energia do vermelho, a força do laranja, a felicidade do amarelo, a amizade do verde, a paz do azul, a bondade do anil e o amor do violeta. Em poucos minutos, todos estavam com seus corações nutridos e podiam espalhar todas essas coisas boas mundo afora.
 
Porém, um pouco distante do Reino das sete cores, morava uma feiticeira muito mal-humorada, sombria e malvada. Cabelos emaranhados, cinzas, com uma corcunda assustadora! Usava sempre a mesma roupa roxa e preta, longa e com um cheiro prá lá de ruim. Sua casa era escura e fria. Nenhuma luz atravessava as pesadas cortinas negras que cobriam as janelas. A não ser quando as cores dos arco-íris brilhavam no Reino das sete cores. Quando isso acontecia, ela ficava enfurecida, pois sua casa ficava iluminada pelas lindas cores, seus olhos ficavam irritados com tanto brilho e a claridade mostrava como era triste a vida dela.
 
Ela passara muito tempo tempo tentando descobrir um jeito de acabar com todos aqueles arco-íris, cada vez mais frequentes. Convocou todos os morcegos, cobras, e lagartos da Floresta Negra. Foi uma longa reunião para bolar um plano perfeito! Semanas se seguiram…e então, naquela manhã, o plano seria posto em prática!
 
Partiram todos, antes do pôr do sol, para a Floresta do Reino das Sete Cores. Um dia lindo nasceu! Um céu azul anunciava um dia quente. Porém, uma brisa suave que foi aumentando encheu de esperança a turma malígna. Logo as primeiras gotas começaram a cair e o sol ainda brilhava… Em minutos puderam ver o mais lindo e brilhante arco-íris.
 
Imediatamente jogaram a colcha enfeitiçada, especialmente elaborada para capturar o arco-íris e não deixá-lo brilhar jamais. E assim foi. As sete cores foram apagadas pela escuridão da colcha…e já não podiam mais colorir o céu, nem a vida das pessoas.
 
Não demorou nada para Luz perceber que havia algo errado. Correu até os aposentos do Rei e da Rainha e disse que algo muito ruim estava acontecendo. O mago do Reino logo chegou ao castelo e contou o que havia ocorrido.
 
Em poucos dias o Reino perdeu o brilho, todos os habitantes do Reino das Sete Cores estavam tristes, fracos, infelizes. Já não conseguiam mais ser cordiais, nem amigos! A bondade foi esquecida e o Amor… Ahhh o amor, o que era mesmo o amor?
 
Mas Luz sabia, sentia em seu coração, que havia alguém capaz de desfazer. Do outro lado da colina morava um jovem rapaz. Igor. Simples e modesto, Igor cuidava com devoção do campo, dos animais e de sua amada mãe, Izaura. Ela era sua joia preciosa. Eles não faziam parte do Reino das Sete Cores, mas sempre que o arco-íris
aparecia, lá estava ele, com seu pote aberto… guardando todo o poder das lindas sete cores. O pote servia para alegrar o quarto de sua mãezinha, que viva feliz! Acabou virando um pote mágico, mas nem Igor mesmo sabia…
 
Ficou intrigado com a escuridão do outro lado da Colina e resolveu ir até lá para ver o que estava acontecendo. Quando lá chegou encontrou Luz! Por alguns minutos esqueceu o que tinha ido fazer. Seus olhos brilharam, seu coração disparou, suas mãos suavam. Aquele sentimento era muito mais forte do que qualquer outro que havia sentido na vida. E ele sabia que era amor…ah, ele sabia sim!
 
Luz mal conseguia falar, seus olhos lacrimejavam e seus lábios tremiam… Ela também sabia que era amor, e como sabia. Quando recuperou o fôlego, perguntou como poderia ajudar o simples rapaz. Ele perguntou o que havia acontecido com as cores e então Luz contou tudo.
 
Ficaram um tempo em silêncio e então o jovem partiu de volta para sua casa, do Luz ficou intrigada com o silêncio do rapaz e resolveu ir até a sua casa. Quando lá chegou sentiu, antes mesmo de entrar na humilde casa, que ali dentro havia algo muito especial. Quando a porta se abriu o clarão das sete cores iluminou seu rosto
alvo e ela avistou o pote. O jovem, já acostumado com aquele brilho, não percebera o poder que guardava ali dentro.
 
Luz pediu permissão para abrir o pote e, imediatamente, todo o Reino se iluminou! O arco-íris voltou ao céu e todas as virtudes das cores voltaram ao seus lugares: Os corações de todos os moradores do Reino das Sete Cores.
 
A feiticeira, finalmente, percebeu que não poderia, jamais, apagar as cores do céu nem dos corações das pessoas. Acabou desistindo de seu plano e deixando as luzes brilhantes entrarem na sua casa, na sua vida!
 
Príncipe e Princesa casaram-se felizes numa colorida e simples cerimônia, tiveram lindos e bondosos filhos…e dizem que vivem felizes até os dias de hoje!
 
FIM
 
Thais (284 Posts)

Thais Caramico acredita em carrossel, mas prefere ver o mundo do segundo andar de um ônibus vermelho. Tem uma bicicleta que dobra, uma cachorra chamada Baleia e a mania de se perder no miolo dos livros.