“Não escrevo para crianças. Não escrevo para adultos. Escrevo e ponto.”
É com essa frase que começamos um post triste. Falar de morte, nenhum adulto sabe. E hoje morreu um mestre da literatura, uma pessoa que admiramos muito. Maurice Bernard Sendak nasceu em Nova York, em 10 de junho de 1928. Aos 83 anos de idade, ele estava internado no hospital após ter tido um acidente vascular cerebral, na última sexta.
Artista dos livros infantis, considerado o mais importante do século 20, Sendak (que também é o autor da frase acima) tinha uma maneira especial de dialogar e entender as crianças, misturava textos e imagens com perfeição, o que acabou influenciando um bocado de gente por aí. Tem vários livros importantes, mas foi com o premiadíssimo “Where the Wild Things Are”, traduzido no Brasil por Onde Vivem os Monstros (Cosac Naify), que o nome do autor ficou conhecido no mundo todo.
Quando fez o livro, em 1963, muitos pais não gostaram da ideia de falar sobre aqueles monstros para as crianças. Além de considerarem as imagens grotescas, eles diziam que a história era um pesadelo e acabaria assustando seus filhos. No livro, o garoto Max fica de castigo e tem de ir para o quarto, onde começa a imaginar uma aventura enorme na floresta. As paredes ganham forma até que surge um rio, que o leva à ilha dos monstros. É uma fantasia das mais bem boladas, com desenhos expressivos, monstros lindos e pra lá de interessantes.
Só para você ter uma ideia, o livro foi traduzido em mais de 20 países. Em 2010, virou filme nas mãos do diretor Spike Jonze.
O último livro para crianças que Sendak fez foi “Bumble-Ardy”, sobre um porquinho órfão de nove anos de idade, que planeja dar uma enorme festa de aniversário na casa de sua tia, enquanto ela viaja. Adivinhe? Muitos pais não gostaram da ideia! Na história, o Esqueleto da Morte dá as caras. E isso, na cabeça de muitos adultos, é considerado um grande terror. Blé! O mundo está ficando chato mesmo! Isso foi em setembro de 2011! Nem se pode imaginar mais as coisas, tranquilo por aí…
Mas em uma entrevista antiga ao jornal New York Times, Sendak disse que não estava muito preocupado com isso, não. “Antigamente, os livros tinham de acalmar as crianças e mostrar, em todo tipo de história, que os adultos poderiam protegê-las de tudo. Mas eu não entrei nessa e por isso fui considerado uma pessoa, digamos assim, bizarra.”
O Garatujas está triste. E vai passar o dia revendo os livros de Sendak, uma obra para guardar no coração. Vamos esperar para ver se “My Brother’s Book”, o livros de poemas que ele estava escrevendo sobre seu irmão, será mesmo publicado em fevereiro do próximo ano.
Mais do que isso, o Garatujas vai abrir um espaço aqui para quem quiser homenagear o Sendak. Triste em amigos é melhor do triste sozinho. Quer dizer ou mostrar algo? Mande para a gente! Vamos montar uma galeria com o que chegar.
E quem abre o espaço é autora Janaina Tokitaka e seus monstros. “Das várias perdas sentidas deste ano, essa foi a que me tocou mais. Ele foi minha maior influência e só posso esperar que a minha produção continue, de alguma forma, desenvolvendo o que ele começou. Goodbye, Wild Thing!”, diz Janaina, que ainda enviou uma linda ilustração.
Clique aqui para ver os outros desenhos.














1 garatujo comentou!
Janaina Tokitaka falou:
08/05/2012
Thais, é isso mesmo! Agora é continuar brigando por um mundo menos chato, em que a gente possa imaginar tranquilo por aí, não é? Para quem fala inglês, recomendo essa entrevista com o Sendak , justamente sobre o livro do porquinho:
http://www.npr.org/2011/09/20/140435330/this-pig-wants-to-party-maurice-sendaks-latest