Garota linda leva ‘Lost and Found’ para Oliver Jeffers assinar

Tão legal encontrar algum autor ou ilustrador que a gente gosta, ver a pessoa falar de suas técnicas, de como cria, do que acha importante… Na terça-feira, Oliver Jeffers participou de um bate-papo na Gosh, um lugar incrível especializado em HQ, em Londres. Ele estava lá para lançar Neither Here Not There (algo como Nem Aqui Nem Ali) que acaba de sair pela Gestalten. O livro não é infantil e passa longe do que vimos nos mais de dez livros ilustrados que ele tem. Nessa coletânea de pinturas novas e antigas, algumas pouco conhecidas, ele revela o que está por trás de sua criação, a escolha das cores, o caminho.

Entre tantas coisas interessantes sobre o seu processo, o “livro ilustrado” foi citado algumas vezes. Tem gente que pensa que escrever uma história infantil curta é fácil, ainda mais quando há tantas imagens de apoio. No caso de Oliver, ele escreve e ilustra. E isso não facilita nem um pouco, com a exceção de que ele consegue dar um peso maior para alguma página, sabendo o que pretende valorizar na narrativa. Ainda assim, ele disse que costuma ter mais de quatro versões na cabeça e a coisa vai se desenrolando, enrolando, até sair!

Perguntei para ele se ele costumava conversar com as crianças sobre seus livros, se visitava escolas, fazia contação de histórias ou oficinas de arte, algo do tipo. Oliver me olhou arregalado e imediatamente respondeu: “Não, infelizmente. Claro que se alguma criança vem até mim eu converso numa boa, com gosto, mas não costumo ir até elas. Faço os livros para mim e, além dos mais, é muito difícil falar com crianças, precisa ter habilidades que eu não tenho.”

Confesso que fiquei surpresa. Claro que acho fundamental estar perto de crianças para entendê-las, ouvi-las, aprender com elas, pesquisar o assunto. Fui para casa e fiquei pensando nisso. Mas o dia passou e eu acordei com outra opinião. Que baita sensibilidade tem de ter um cara que pouco fala com crianças, mas que escreve e ilustra lindamente, a ponto de, mesmo sem esse contato direto, acertar tanto. Que artista!

Momento fã:
- Oliver, esse livro é para uma amiga ilustradora que te adora! O nome dela é Happy Turtle! Obrigada.

Está feliz, né, Tartaruga?

- Agora, por favor, assina esse outro aqui para a revista digital sobre assuntos infantis mais legal do planeta? Isso, desculpa, o nome é grande, mas é que é do tamanho do carinho que seus idealizadores têm por ela! =]

No livro autografado para a Garatujas, um menino que devora livros. Quer mais?

Ah, você pode conhecer os três livros do Oliver Jeffers que eu mais gosto nos vídeos abaixo, pois todos foram publicados em Portugal e ganharam trailer ou leitura em vídeo. No Brasil você também encontra tudo no papel, pela editora Salamandra.

Thais (284 Posts)

Thais Caramico acredita em carrossel, mas prefere ver o mundo do segundo andar de um ônibus vermelho. Tem uma bicicleta que dobra, uma cachorra chamada Baleia e a mania de se perder no miolo dos livros.