Foto do blog da Creative Review / Crédito: Robert Charbonnet

Na semana passada, o Garatujas foi ver uma exposição de cartazes na Kemistry Gallery, em Londres. O tema: como dizer muito com pouco. Já parou pra tentar fazer isso? A gente vê uma frase simples e tem a sensação de que ela é uma coisa fácil de se fazer. Pois não é.

A exposição é resultado de um trabalho genial e criativo, organizado pelo pessoal da Mesa&Cadeira. O projeto tem esse nome porque funciona como mesas de trabalho, como oficinas focadas em fazer um projeto. Pense num trabalho de escola em grupo, mas só com as pessoas que você se dá bem! “A ideia surgiu porque acho que a melhor coisa do mundo é trabalhar com pessoas legais. E se você consegue trabalhar com essas pessoas em um projeto legal, este é o sonho”, conta Barbara Soalheiro, que cuida do Mesa&Cadeira com Francesca Wade.

A coisa começou a rolar e agora as duas criam as tais mesas de trabalho para ajudar profissionais do mercado a resolver seus desafios. Elas pensam num tema que seja relevante para o momento que estamos vivendo e lançam mão. Preenchem 12 cadeiras e colocam na ponta da mesa uma pessoa brilhante para liderar uma semana de criação, papo, pensamentos, fazer, errar, fazer de novo, curtir, sair melhor!

Foi isso o que aconteceu antes da exposição em que fomos. Em São Paulo, o designer gráfico britânico Anthony Burrill, já conhecido por dizer muito com pouco, foi quem ajudou o pessoal a fazer o mesmo. O briefing completo era: usando a linguagem mais simples e objetiva possível, pense numa frase que defina seu jeito de encarar a vida. Eles trocaram ideias, escolheram 12 de várias frases e foram lapidando uma a uma. No final, os cartazes foram impressos e, antes de vir para Londres, foram expostos na galeria Mendes Wood.

Durante a oficina em São Paulo

Pôster do Burrill, criado para uma mostra em Lisboa, só para você ter uma ideia de como ele “fala”

Ali na exposição eu pensei que seria legal contar essa ideia aqui para quem quisesse fazer o mesmo com as crianças. Criar um ambiente estimulante e desafiar os pequenos a escrever com simplicidade como eles levam a vida me parece interessante. Será? “Com certeza! Primeiro porque criança é sincera demais e vai dizer aquilo que realmente sente. E depois porque é legal pra ver que a criatividade é uma coisa que todo mundo tem. É preciso incentivo positivo para que isso cresça dentro da criança”, disse Anthony Burrill ao Garatujas Fantásticas.

“O legal é escrever muita bobagem mesmo, se soltar. E prestar mais atenção ‘dentro’ do que ‘fora’, sem escrever coisas que parecem muito espertas ou só pra impressionar. No fim, aprendemos que é difícil demais ser simples, porque ser simples não vem de ser curto, mas de ser verdadeiro. E dá trabalho achar a essência mesmo da ideia”, completa Barbara.

Para Anthony, é só a criança entrar no modo criativo que ela começa a fazer maravilhas. Recentemente, ele e a mulher fizeram uma oficina na escola dos filhos e o resultado foi incrível. “A gente simplesmente montou um ambiente em que os alunos pudessem experimentar papel e imagens. Sem perceber, eles estavam criando animais e figuras abstratas ótimas”, diz.

Papéis para recortar, pensar, montar

Frases curtas e figuras que se misturam para dizer um bocado de coisa

Inspirados por todas essas ideias, eu e Beto  jogamos algumas folhas e carimbos pelo chão de casa. Não elaboramos ideias e pensamentos de forma tão bacana como foi feito no Mesa&Cadeira, mas nos divertimos ficando em silêncio e tentando ouvir o que estava dentro da gente pra criar esses pequenos cartazes.

Ah, e só para terminar, eu perguntei à Barbara qual seria a frase dela quando criança. É uma bem simples que o amigo Andre Blas escreveu: “I like to like (Eu gosto de gostar). Acho que se aplica à criança que eu fui.” E eu aqui diria o mesmo. E também: De novo e de novo / Eu gosto porque é legal / Não quero porque não / Quer ser meu amigo? / No escuro eu corro sem ver.

 

Thais (284 Posts)

Thais Caramico acredita em carrossel, mas prefere ver o mundo do segundo andar de um ônibus vermelho. Tem uma bicicleta que dobra, uma cachorra chamada Baleia e a mania de se perder no miolo dos livros.