Brincar é coisa de bicho e de gente.
Quando está parado num canto e não quer brincar, a mãe põe a mão na testa do
filho para ver se ele está com febre.
Brincar de bola, de pique, de lenço atrás, queimada, boneca, pião, diabolô. Brincar
de correr que nem louco, de pular que nem canguru, de dar risada e achar tudo
muito engraçado sem saber por quê. Brincar de imaginar, de inventar palavras e
histórias malucas é uma alegria que não tem fim.
Brincar de não fazer nada também é bom: deitar com a barriga pra cima e ficar
olhando as nuvens ou ficar bem quietinho no sol como um lagarto verde sentindo o
calor.
Brincando a gente aprende a recriar a vida e a refazer os seus sentidos.
A gente brinca pra ser feliz.

(Silvia Oberg é doutora em Ciência da Informação, com especialização em literatura infantil e juvenil, e pesquisadora na Biblioteca Infantojuvenil Monteiro Lobato).

Thais (284 Posts)

Thais Caramico acredita em carrossel, mas prefere ver o mundo do segundo andar de um ônibus vermelho. Tem uma bicicleta que dobra, uma cachorra chamada Baleia e a mania de se perder no miolo dos livros.