Como se cria em alguém o prazer por alguma coisa?
Antes mesmo de ano letivo começar, na conversa inicial com os pais, a preocupação com o hábito da leitura se torna o principal desejo. Tornar uma coisa habitual não é tão difícil assim, mas prazerosa… Minha preocupação está aí, fazer da leitura um hábito, mas recheado de prazer.
Ser modelo de leitor com certeza é o início de tudo. Escolho com muito cuidado nossas leituras em capítulos, e faço desse momento o mais esperado do dia, mas não é o suficiente. Eles precisam ler sozinhos e aí está a grande questão.
Além de disputar com brinquedos, games, filmes, desenhos, o livro para os meus pequenos tem ainda o empecilho das letras, pontos e sinais. Precisam tornar-se leitores competentes e para isso precisam ler, parece missão impossível, mas não é!
Visitamos a biblioteca da escola semanalmente, lá além de ler e ouvir histórias conversamos sobre nossas escolhas, conhecemos autores, ilustradores e aos poucos vamos nos tornando usuários daquele espaço.
Em nossa sala também temos uma pequena biblioteca, esta é renovada quinzenalmente e é com esses livros que os meninos e meninas têm o compromisso semanal da ficha de leitura. Essa ficha nada mais é do que um pequeno registro do que se leu nada de contar a história na íntegra, ora se desenha a personagem principal, ora indica o livro para um colega, mas sempre destacando o título da obra, o autor, seu ilustrador e a editora. Hábito.
Na devolução das fichas dessa semana, enquanto os meninos falavam, pude notar o quanto se tornaram leitores desde o início do ano.
Falavam dos livros com entusiasmo e propriedade. Os livros estavam dispostos na moldura da lousa e eu ia perguntando de um por um qual gostaria de levar. Eles escolhiam e o aluno que já havia lido fazia naturalmente um comentário. Comecei a anotar, tomada por uma surpresa e uma alegria sem tamanho:
― Ai, você vai amar. Eu até chorei, dá muita emoção. – disse Ana sobre o livro Esperando vovó.
― Esse livro é a sua cara Gabriel, tem mistério e um pouco de medo. – falou o Edu sobre O fantasma de Canterville.
E assim aconteceu a conversa até que todos escolhessem seus livros da semana.
Terminei o dia com uma sensação de vitória, de estar no caminho certo, sendo modelo de leitora, fazendo uma seleção criteriosa dos livros retirados da biblioteca e dos levados para nossa biblioteca da sala, exigindo um pequeno registro sobre a obra lida e acima de tudo inserindo o livro em nossas conversas informais.
Esses foram os livros mais recomendados essa semana:















