Meu pai, como um bom pai, conta a mesma história há anos.

Já contou para mim e agora conta para os netos dele.

“O palhaço entrou no canhão e começou a contagem regressiva:

La una…

La duna…

Latrina!

E soltou um pum.”

As garagalhadas dele, hoje com 66 anos, são de criança que ainda está no circo, com olho estalado no picadeiro.

Talvez por isso, quando visitamos o museu de arte moderna de Varsóvia, na Polônia, agarrei um livrinho e não larguei mais. Cyrk (ou circo em polonês) é um catálogo de pôsteres de circos poloneses da década de 1970. Um mais legal que o outro, com traços supersimples, eles fazem parte da Escola Polonesa de Pôsteres, administrada pelo então governo comunista do país.

Aliás, em Varsóvia existe o primeiro museu do pôster do mundo. Ou seja, eles são craques.

Veja só se não dá vontade de ir em um circo desses!

O palhaço Boliwar, em pôster de Jan Mlodozeniec (1975)

O macaco doidão de Hubert Hilscher (1973)

Os monociclistas e malabaristas da bicicleta de Maciej Hibner (1964)

 

A Monalisa contorcionista de Maciej Urbaniec (1970)

O malabarista de não sei quantas bolinhas, de Jan Mlodozeniec (1970)

O macaquito de bicicleta, de Wiktor Górka (1968)

O incrível homem de ponta cabeça, de Maciej Urbaniec (1966)

E o superpalhaço ladrão de estilingue e letras Y, de Jan Mlodozeniec (1978)

Beto (41 Posts)

Beto gosta de dormir sentindo o livro escorregar da mão sonolenta. Quando sonha com o que leu, acorda querendo ver desenho. Um dia ele consegue fazer isso sem parar: ler, sonhar e ver desenho.