Ao escrever sobre os livros de desenhar eu pensei no Keith Haring. Mas achei que o post ficaria grande demais, já tínhamos ali ótimos nomes e ele é coisa de se ver com calma. Então eu estava aqui preparando um post para outro dia, quando um comentário sobre os livros de desenhar pintou na minha tela. É que eu deixei a lista aberta e pedi dicas para os leitores. ‘MCris’ disse assim: “Keith Haring e “O livro da Nina para guardar pequenas coisas“, da CosacNaify!”

Bingo! Pois resolvi antecipar o post sobre esse gênio da arte urbana e contemporânea e falar um pouco mais sobre ele. Sem perder tempo, vou fazer algo inédito: recorrer ao meu antigo blog, o Eu Conto Assim, e trazer de lá uma parte de um texto publicado em 5 de abril de 2011, um ano certinho antes de Garatujas Fantásticas dar as caras!

Eu acho incrível como as formas de Keith Haring  inspiraram uma série de gente da cena urbana. Mas acho mesmo sensacional a forma como ele via a criança e fazia com que ela enxergasse sua obra (construir uma narrativa a partir de uma obra de arte é delicioso e eu recomendo!).

Keith desenhava quadrinhos pela casa desde pequeno. Cresceu, saiu pintando o metrô de Nova York, as ruas de vários países, mas nunca deixou de ser criança. Sua ligação com o mundo infantil era tão grande que há várias fotos e relatos do artista criando ao lado de crianças – sempre com traços simples, muitas vezes geométricos e quase sempre coloridos. Ele gostava tanto disso que em seu site há uma seção Kids, onde é possível colorir seus próprios desenhos.

Conheço adesivos, jogos de memória, uma série de objetos e dois livros do Keith para as crianças que são bem legais. Este aí de cima,  Ah, Se a Gente Não Precisasse Dormir, é sobre a história dele e a arte pop urbana. Conta como ele começou, explica um pouco o graffiti e faz interpretações de suas obras. Perfeito se você quiser saber mais sobre o artista e passar minutos pirando no significado das pinturas.

Mas se for para ter acesso a um baú de histórias do jeito que Keith gostava, O Livro da Nina para Guardar Pequenas Coisas é a coisa mais legal do mundo, pois as aventuras ali têm outro sabor. Nina é uma garota sem começo, meio e fim. E o livro é um diário que recolhe de flocos de neve a trevo de quatro folhas e papéis de bala. Cada coisa tem seu nome, seu valor. Nina, na verdade, é filha do pintor italiano Francesco Clemente, que era amigo de Keith. E foi de presente de aniversário de sete anos que o artista resolveu entregar a obra à garota, como um diário personalizado com adesivos, fotos e lembranças. Daí surgiu a ideia de “recriá-la”, fazendo um fac-símle que chegou às livrarias pela Cosac, a mesma do primeiro livro.

E nessa de interpretar seus desenhos, o que você vê abaixo? Eu vejo um ritual de fertilidade ou uma comemoração mexicana (por causa do sombreiro) ao Dia das Mães!

Se você gostou, veja no blog do Estadinho o trecho de uma matéria feita por mim em 2010. Nessa página estão as obras de Keith interpretadas por crianças – as frases são hilárias e a brincadeira é ótima para você fazer também!

Thais (287 Posts)

Thais Caramico acredita em carrossel, mas prefere ver o mundo do segundo andar de um ônibus vermelho. Tem uma bicicleta que dobra, uma cachorra chamada Baleia e a mania de se perder no miolo dos livros.