Foto: David Reeks

Alô, quem tá falando? E aí tem vaca? O que é isso? E sua mãe deixa? As frases são do documentário Disque Quilombola, dirigido por David Reeks, em que um fio dá linha para que crianças do Espirítio Santo conversem e descubram que a infância é muito mais feita de semelhanças do que diferenças. É através de uma brincadeira chamada telefone de lata que o morro São Benedito, em Vitória, conversa com a comunidade quilombola São Cristóvão, na região do Sapê do Norte.

E você sabe o que é quilombola? O termo tem uma forte ligação com a luta pela terra. No site do documentário, está escrito que segundo a Fundação Cultural Palmares, “quilombolas são descendentes de africanos escravizados que mantêm tradições culturais, de subsistência e religiosas ao longo dos séculos. Um levantamento da Palmares mapeou 3.524 comunidades quilombolas no Brasil.”

Lá também está a história completa do projeto e até um canal sobre as brincadeiras que essas crianças gostam. Uma é caçar tanajuras (conhecidas como içás ou saúvas) para depois colocar na panela e fritar. Nnhami! E se você não sabia, essa iguaria (também muito comum no Vale do Paraíba, entre Rio de Janeiro e São Paulo) era o prato predileto de Monteiro Lobato!

Além de ter sido selecionado no edital Curta Criança 6 (MinC e TVBrasil), o curta é exibido nas TVs educativas do país e também acaba de ganhar Menção Honrosa na Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis. Na semana que vem, Garatujas vai assistir ao filme e dar uma entrevista com uma das produtoras e roteiristas, Gabriela Romeu (lembra do outro projeto dela?).

Quem também filmou e cuidou do roteiro foi a educadora Renata Meirelles, que já viajou pelo Brasil todo investigando as diferentes formas de brincar. Eita, turma boa!

Veja o trailer e me diga se não dá vontade de brincar assim… Depois, clique para saber onde ele está em cartaz perto de você.

 

Thais (287 Posts)

Thais Caramico acredita em carrossel, mas prefere ver o mundo do segundo andar de um ônibus vermelho. Tem uma bicicleta que dobra, uma cachorra chamada Baleia e a mania de se perder no miolo dos livros.