Você já sabe o que vai fazer no domingo? Nossa sugestão é bem simples: leitura compartilhada, que presentão! Conversamos com o autor Ilan Brenman para pegar algumas dicas. Ilan é doutor em educação, um dos principais escritores de literatura infantil do Brasil, e pai de Lis, 8 anos, e Iris, 5. Na casa dele, as histórias têm um lugar especial, pois além de viver rodeado por elas, são as filhas, muitas vezes, inspiração para as obras. E se as meninas viram personagem, a figura do pai também está presente. Leia a entrevista e conheça quatro livros dele em que a relação entre pais e filhos conduz uma série de sentimentos e fatos cotidianos.

Fico atento a falas e situações espontâneas. Quando vem uma pérola, saio correndo para o computador e elas gritam: ‘É livro, pai?’. ‘Sim, é livro’.

Antes da entrevista e das dicas, quer saber minha opinião? Eu adoro muito mesmo o “Pai, não fui eu!“, da Cia. das Letrinhas. Nele, a garotinha diz ao pai que não foi ela que derrubou um livrão da estante, e sim um leopardo. Além de a imaginação ser o elemento principal, isso realmente aconteceu na casa do Ilan. Ele ouviu um cataploft no escritório, foi lá conferir e uma das filhas logo disse: “Pai, não fui eu! Foi o leopardo.” As ilustrações feitas pela italiana Anna Laura Cantone também são incríveis – sou fã dela!

Essa é a cara que ela faz minutos antes de dizer que o leopardo derrubou o livro!

Garatujas Fantásticas: Pai, escritor, educador, contador de histórias. Que dicas você dá para os pais atraírem a atenção dos filhos na hora de ler um livro ou contar uma história?

Ilan Brenman: Eu inverteria a equação da pergunta. Quando os pais param o que estão fazendo e se propõe a ler e contar histórias para os filhos, a atenção aparece como consequência dessa ação. Num mundo acelaradíssimo, de relações virtuais intensas, a história ao vivo e em cores é um resgate da nossa verdadeira vocação humana: compartilhar palavras que fazem sentido à nossa alma.

Que tipo de atividade você acredita que as crianças podem fazer com os pais, envolvendo a prática da leitura?

Eu falaria a palavra “brincar” com os livros. Podemos levá-las à livrarias, bibliotecas, mostrar nossos livros da infância. Nas últimas semanas, inventei uma nova brincadeira com as minhas meninas. Pego um livro, mostro uma ilustração, conto até dez e fecho o livro. Aí, começo a fazer perguntas sobre a ilustração que elas viram, como qual é cor do peixe, quantas crianças usavam bermuda… É importante falar que não estou preocupado em mensurar a memória delas, é uma brincadeira desafiadora e divertida em que rimos muito. Poder rir, brincar, se sentir desafiado, se identificar com um livro é um bom caminho para se aproximar dele.

Foi depois de saber que “Até as Princesas Soltam Pum” que Laura, a garotinha do livro, fez essa pergunta ao pai

Suas filhas te contam muitas histórias? Como elas começam, do que gostam, até onde vai a imaginação delas? E vocês costumam ler em que parte do dia ou onde? Há algum cantinho, um “ritual”?

A imaginação é infinita! Elas não contam histórias, elas são a própria história! A riqueza contida no cotidiano delas é um baú sem fundo de narrativas. Já brincamos muito de inventar histórias, elas gostam de temas clássicos infantis: aventuras, bruxas e monstros, escatologia, princesas e príncipes etc. Existem dois rituais em casa, um que divido com minha esposa, ler e contar histórias à noite, momento do desligamento com a correria do dia para a entrada no mundo onírico, dos sonhos acordados (leituras) para o sonho da noite. E existe outro momento, quando chegam os livros novos que fiz, amo isso! Elas chegam da escola, eu mostro livro (que elas já viram em PDF) e elas largam as mochilas e sentam comigo no corredor de casa e lemos juntos.

É tanto amor pelo pai que as duas meninas conseguiram separá-lo em duas partes. Mas ficar com as metades não foi nada legal… Ainda bem que existe cola para colar pai!

Como você foi descobrindo que tipo de histórias elas gostavam de ler ou ouvir? E que tipo de incentivo pode ser feito àquela criança que não é muito dada aos livros?

Elas são muito sinceras, é uma característica infantil, elas falam do que gostam e do que não gostam. O gosto também vai mudando, da fase de só ler livros sobre seres marinhos,  para depois só querer ouvir histórias da minha querida e talentosa amiga Flávia Lins (Pilar na Grécia). Não existe criança que não goste, e necessite, de histórias. A questão é como estamos apresentando esse repertório para elas. Contar histórias, levá-las para a bibliotecas, livrarias, dar de presente livros e não esquecer de ler com elas, esses são bons caminhos para aproximá-lo desse mundo maravilhoso.

Você também é bem inspirado pelas coisas que suas filhas te falam. Como é isso?

Sou um observador atento do meu universo, ou seja, da minha casa, gosto de ouvir elas me contando sobre suas experiências na escola, sobre seus pensamentos e elas adoram compartilhar tudo isso comigo. Também fico atento a falas e situações espontâneas. Quando vem uma pérola, saio correndo para o computador e elas gritam: “É livro, pai?”. “Sim, é livro.”

Enrola daqui, se enrola de lá. Por que será que muitas vezes os pais não conseguem falar a verdade para os filhos?

Para você, tem presente mais gostoso do que ler, ouvir ou contar histórias em família? Aliás, como vai ser o seu domingo?

O que é uma família senão uma junção de histórias? Compartilhá-las é o momento máximo dessa vivência. No domingo vamos almoçar na casa do sogrão, muita comida búlgara, bagunça da criançada e muitas histórias compartilhadas.

Thais (286 Posts)

Thais Caramico acredita em carrossel, mas prefere ver o mundo do segundo andar de um ônibus vermelho. Tem uma bicicleta que dobra, uma cachorra chamada Baleia e a mania de se perder no miolo dos livros.