Pegando carona no projeto de lei do senador Eduardo Amorim (PSC-SE), comecei a pensar em como andam as nossas crianças quando o assunto é brincar.
A proposta do senador é proibir que redes de lanchonetes, restaurantes e outros estabelecimentos distribuam brinquedos ou quaisquer outros brindes infantis atrelados ao consumo de seus alimentos. E foi aprovado no dia 28 último na Comissão do Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle do Senado. Ótimo, porque esse tipo de consumismo forçado – e ainda por cima de alimentos de qualidade duvidosa – é mesmo uma crueldade.
Mas a verdade é que outra questão martelou meus pensamentos: nossas crianças não sabem brincar – o que, infelizmente, não é uma constatação apenas pessoal. Conversando com várias mães, percebi que a queixa-observação é sempre a mesma: Meu filho não brinca, só quer ver TV. Meu filho só brinca se eu sentar ao lado dele e oferecer o brinquedo, e ainda assim por dez minutinhos apenas. Meu filho prefere ficar no videogame e na internet.
Num mundo que dá mais valor ao consumo, em que o brinquedo é mais importante do que a brincadeira, não é difícil entender o que está acontecendo. A todo instante, nossos filhos nos pedem mais e mais brinquedos, e cada vez mais o tempo dedicado a eles é menor. Acumulam-se carrinhos, bonecas, espadas, casinhas, bonecos de todos os tipos para nada. O imediatismo da aquisição – num consumismo desenfreado e nada prazeroso – desfaz qualquer interesse que se tenha pelo brincar.
A explicação talvez seja simples, ainda que assustadora: nossas crianças estão dando mais importância ao fato de ter o brinquedo do que de usufruir da diversão que ele possa proporcionar. Estando todos em uma sociedade formadora de crianças que apenas consomem e nada mais, taí por que nossos filhos realmente não sabem brincar.
O que você acha dessa ideia de proibir os brinquedinhos que vêm de brinde nos lanches?
*A imagem eu vi aqui.








2 garatujos comentaram!
Christiane Angelotti falou:
03/09/2012
Estou torcendo para que a lei seja aprovada. Em vários países do mundo existe esse movimento.
Infelizmente com o consumo excessivo estamos perdendo a capacidade de ensinar nossas crianças de que o menos é mais, de que o simples é o que tem mais valor.
Os brindes só atiçam o consumo desenfreado. Vejo pelas minhas crianças que e menos de 24 horas os brindes já perdem a novidade e fiam encostados. Por isso, há alguns anos nós os abolimos.
Talvez a nossa sociedade, permeada por uma culpa de estarmos mais ausentes e termos que trabalhar mais, queira compensar isso com coisas materiais. Amor só pode ser substituído por amor.
Paula falou:
04/09/2012
Eu concordo com a lei sim. Mas,acho também que o filho, vê, come e consome o que os pais autorizam. Aqui em casa tenho um menino de 7 anos que não liga pro lanche, mas, gosta do brinquedo, dá pra contar nos dedos de uma mão as vezes que ele foi até essa lanchonete dos tais brinquedos. Ele brinca bastante, lê, desenha e viaja com os brinquedos que tem. O computador, que serve pra jogos, ele usa no máximo 1 hora por dia. Não podemos também esperar que as autoridades resolvam todos os problemas pra gente, precisa limitar sim, o exagero. Mas, o filho é nosso, precisamos nos vigiar pra não “ajudar” os filhos a consumir o que não é legal!